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Kurondera (Amakuru)

Edição 1285
O Ministério Público acusou Francisco Carvalho, enquanto presidente da Câmara Municipal da Praia, e três vereadores do executivo municipal de um conjunto de crimes relacionados com actos praticados no exercício das suas funções, na sequência de uma investigação que incidiu sobre a gestão administrativa, financeira, patrimonial e urbanística do município. Na entrevista desta semana conversámos com Marisa Carvalho, presidente do ICIEG. Num continente onde o retrocesso nos direitos LGBTQIA+ se tem acentuado, com países vizinhos a endurecer leis e penas, Cabo Verde reafirma o compromisso com os direitos humanos. A marcha "Nos direitu, nossa certeza", realizada no passado sábado, dia 4, vai nesse sentido e deu o mote a uma conversa com a presidente do ICIEG, que aborda esta e outras temáticas do vasto universo do género. E Julho trouxe também um marco importante: 18 meses sem registo de mortes de mulheres por violência baseada no género, o que Marisa Carvalho associa, em parte, ao reforço das respostas de apoio às vítimas, nomeadamente através das casas de acolhimento. A responsável alerta, ainda, para os problemas de género no masculino. “O género não é apenas uma questão das mulheres. Não podemos combater uma desigualdade criando outra”, defende. Na capa desta semana damos ainda destaque à análise feita pela sociedade civil ao Programa de Governo. A Plataforma das ONG, a União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde - Central Sindical (UNTC-CS) e a Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) consideram que o Programa do Governo contém medidas positivas para o desenvolvimento do país, mas defendem que o documento deve reforçar a participação da sociedade civil, responder às principais reivindicações dos trabalhadores e garantir a concretização das promessas dirigidas ao sector empresarial. Destaque igualmente para o reflexo que a histórica prestação dos Tubarões Azuis no Mundial de Futebol pode ter no Turismo nacional. A participação histórica de Cabo Verde no Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 poderá vir a produzir um efeito que ultrapassa largamente o desporto. Ao longo das semanas em que os Tubarões Azuis competiram nos Estados Unidos, Canadá e México, o arquipélago registou um aumento sem precedentes da sua visibilidade internacional, traduzido num forte crescimento das pesquisas relacionadas com viagens, férias e voos para o país. Na Reportagem desta edição olhamos para a Brava e para o projecto Fluorescer. Durante décadas, centenas de bravenses viveram com dentes manchados devido à fluorose dentária. Mas há sinais de mudança, uma vez que o projecto Fluorescer Brava iniciado há cerca de uma semana pretende tratar 500 pessoas e reduzir o peso de um problema que atravessa gerações. Na Cultura damos espaço às Colónias de Férias, um serviço com grande procura nesta altura de férias escolares. As férias são momentos de diversão e aprendizagem. Por isso, todos os anos, logo após o término do ano lectivo, começam as conhecidas colónias de férias, nas quais crianças e jovens têm a oportunidade de aprender mais, num ambiente de brincadeira e diversão. A ler igualmente os artigos de opinião ‘Cabo Verde: Uma Nação Disruptiva e agora no Mundo do Futebol’ escrito por José da Silva Gonçalves; ‘Cabo Verde no Mundial 2026: Crónicas de uma Campanha Histórica’ da autoria de Maria João de Novais e ‘Educação: entre a promessa de futuro e a prova da escola’ escrito por Manuel Brito-Semedo.
2026-07-15 01:09:00

​PAICV e UCID propõem task force para capitalizar impacto internacional dos “Tubarões Azuis”
Posições defendidas na noite desta segunda-feira, durante o programa “ Plenário ” da Rádio Morabeza. O MpD faltou ao debate. Para Nelson Faria, do PAICV, a afirmação de Cabo Verde no mapa mundial dá ao país maior poder no plano diplomático e permite projetar outras dimensões nacionais. “Prevemos que, provavelmente, teremos mais visitas, teremos uma maior avalanche de turismo, o que vai requerer, naturalmente, um maior número de acomodações, nomeadamente espaços de acolhimento de turistas. Falo de hotéis, falo, hoje em dia, dos espaços Airbnb, que estão muito em voga, e que são oportunidades imediatas que devem ser aproveitadas. Há uma oportunidade intrínseca ligada à cultura, porque nós somos também a nossa cultura. A vertente da música, da pintura e do artesanato pode ganhar muito com esta dinâmica. Mas há também uma vertente ligada ao desporto como um todo, que não se resume apenas ao futebol. Isso requer e implica, naturalmente, uma outra forma de ver o desporto, não apenas como um espaço lúdico, de divertimento, mas como um espaço económico de potenciação do país”, afirma. Nelson Faria também destaca a necessidade de transformar a projeção internacional dos Tubarões Azuis em ganhos concretos para o desporto nacional. Para isso, defende mais investimento em infraestruturas, na formação de treinadores e dirigentes, e na criação de leis que permitam aos clubes funcionar com estatuto, rigor e melhor organização. “E há uma vertente também que nós não podemos descurar, que é a vertente da diáspora. Trazer a nossa diáspora para perto. A nossa diáspora tende a participar na nossa vertente formativa, na nossa vertente também de potenciação do negócio do desporto. Os atletas formados fora do país têm de ter a curiosidade também de querer, de alguma forma, conectar-se permanentemente com o país, aqui em Cabo Verde”, refere. A UCID segue a mesma linha e defende que a Federação Cabo-verdiana de Futebol e os jogadores já fizeram a sua parte dentro das quatro linhas. O representante do partido, Anilton Andrade, afirma que cabe agora ao Estado, às autarquias e ao sector privado trabalhar fora do campo para transformar o prestígio conquistado em oportunidades reais. “Os ‘Tubarões Azuis’ abriram o apetite das pessoas sobre Cabo Verde e agora o país tem de capitalizar aquilo que já está a ser comunicado a nível internacional. Esse feito da seleção está ligado diretamente à promoção do país. E quando se fala da promoção do país, fala-se da promoção do turismo, da cultura, da música, da gastronomia, dos produtos nacionais e, sobretudo, do investimento”, considera. A UCID considera que é preciso olhar para o desporto como um investimento, o que implica avançar para a profissionalização ou semiprofissionalização do sector, com mais organização, rigor e melhores condições para atletas, clubes, treinadores e dirigentes.
2026-07-07 10:14:48

Oposição acusa CEDEAO de ingerência na Guiné-Bissau
Em comunicado divulgado nos órgãos de comunicação social guineense, a diretoria da candidatura de Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória nas eleições presidenciais de 23 de Novembro passado, manifesta a "sua mais profunda indignação e o seu firme repudio" pelas declarações do chefe da diplomacia da Serra-Leoa, no âmbito de uma missão da CEDEAO a Bissau. No passado dia 26 e citando as autoridades de transição guineense, Timothy Kabba, anunciou que a nova Constituição do país, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão que substitui o parlamento, será submetida a referendo, sem mais pormenores. "É politicamente inaceitável que um representante de um estado irmão da sub-região se tenha arrogado a iniciativa de anunciar a realização de um referendo para a aprovação de uma Constituição promovida pelas atuais autoridades de transição, assumindo um papel que não lhe pertence e que constitui uma inadmissível ingerência num assunto que diz exclusivamente respeito ao povo guineense", lê-se no comunicado. A diretora da campanha de Fernando Dias da Costa considera aquelas declarações do emissário da CEDEAO "incompatíveis com os princípios democráticos proclamados" pela organização e que "contradizem frontalmente" as decisões da cimeira de chefes de Estado e de governo de dezembro passado, em relação ao golpe de Estado na Guiné-Bissau. "A soberania da Guiné-Bissau não se negoceia, não se delega e não pode ser substituída pela vontade de qualquer emissário estrangeiro. Nenhum representante internacional detém legitimidade para anunciar ou validar processos constitucionais em nome do povo guineense", assinala-se ainda no comunicado da oposição. Um dia depois das declarações do chefe de missão da CEDEAO, as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau anunciaram, nos canais oficiais nas redes sociais, que uma proposta de Lei do Referendo à Constituição da República "foi aprovada por unanimidade" pelos membros do CNT, no dia 26 deste mês. A nova lei, segundo a publicação, aguarda pela promulgação pelo Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a que, por sua vez, irá marcar a data para o referendo à nova Constituição revista em janeiro passado e que, na prática, reforça os poderes do chefe do Estado, que passa a deter a maioria dos poderes, nomeadamente na nomeação e orientação da ação do primeiro-ministro. O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, explicou, em declarações aos jornalistas, que a nova Constituição manteve o sistema semi-presidencialista, mas reforçou os poderes do Presidente da República, a quem o Governo "terá de responder", bem como à Assembleia Nacional (parlamento). Na publicação feita nas redes sociais, as Forças Armadas guineenses escrevem que "a população guineense terá o direito não só de escolher que tipo e forma de poder pretende, assim como entender sobre as alterações feitas, vantagens e desvantagens duma ou outra forma do mandato". A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na sequência do golpe de Estado ocorrido em novembro de 2025, em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, então realizadas. Os militares, sob o comando do general Horta Inta-a, anunciaram terem tomado o poder para "evitar um banho de sangue no país" em decorrência de disputas pelos resultados eleitorais. Na altura suspenderam o processo eleitoral e destituíram o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló. Horta Inta-a assumiu a presidência do país, Ilídio Vieira Té foi nomeado primeiro-ministro e um Conselho Nacional de Transição foi criado para fazer as funções do parlamento. Foto: depositphotos
2026-06-29 15:15:33

Governo quer alargar horário escolar para reduzir impacto de crianças em situação de rua
A governante fez estas declarações na abertura da acção de capacitação sobre o novo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promovida pelo ICCA, na cidade da Praia. Adelsia Almeida sublinhou que o novo diploma, que entrou em vigor na semana passada, reforça o compromisso do executivo em consolidar o sistema de protecção de menores, fortalecendo a articulação entre as instituições públicas, organizações religiosas e a sociedade civil. “O processo de protecção integral das crianças é uma responsabilidade de todos, das entidades judiciais, das entidades que trabalham para a protecção da comunidade, da sociedade civil e de cada cidadão cabo-verdiano”, afirmou. No âmbito do programa do novo Governo, a ministra destacou a intenção de alargar o horário escolar, para permitir que as crianças e os adolescentes permaneçam em espaços seguros enquanto os pais trabalham. Adiantou que esta medida está a ser analisada com o Ministério da Educação, reconhecendo, contudo, que em alguns municípios e localidades, devido ao elevado número de crianças, poderá não ser possível concretizar esse alargamento. Nesses casos, explicou, o executivo pretende reforçar os centros de Actividades de Tempos Livres (ATL), melhorar o seu funcionamento e criar novas respostas para assegurar a permanência das crianças em ambientes seguros quando não podem estar sob os cuidados das famílias. Adelsia Almeida indicou ainda que o Governo pretende reforçar as políticas de apoio às famílias vulneráveis, lembrando que cerca de 40 por cento das famílias pobres em Cabo Verde têm crianças nos seus agregados. A governante alertou igualmente para situações de exploração, abusos e exploração sexual de menores, defendendo o reforço da rede de protecção e o desenvolvimento de medidas preventivas que evitem a violação dos direitos das crianças. Outro dado considerado preocupante refere-se aos resultados do Censo 2021, que identificou cerca de 600 crianças menores de 18 anos em situações equiparadas ao casamento ou união de facto. “São situações informais, mas que configuram relações estáveis”, explicou Adelsia Almeida, sublinhando que estas realidades têm impactos significativos no desenvolvimento social, académico e socioeconómico das crianças. Relativamente às crianças em situação de rua, a ministra revelou que existem actualmente cerca de 200 menores identificados pelo ICCA nessa condição.
2026-06-29 15:15:10

Festival da Gamboa proíbe entrada de menores de idade nos três dias do evento
Numa publicação nas redes sociais, a autarquia esclarece que o Gamboa Jovem, que decorre das 16h00 às 22h00, também está abrangido pela restrição, reforçando que menores de idade não poderão aceder ao recinto. A CMP sublinha ainda que a proibição se aplica a toda a programação do Festival da Gamboa, apelando à compreensão e colaboração dos munícipes e do público em geral. Por outro lado, a autarquia apela ao civismo de todos os participantes, de forma a garantir que o festival decorra num ambiente seguro, organizado e responsável. O festival arranca esta sexta-feira, 26, e contará com actuações de Leo Pereira, Loreta KBA, Garry, Sumara, Milito Freire, Nito, Lavvy, Morena Santana, Lippe Monteiro, e animação de DJ Samuka, DJ King Conection, MC Danny e MC Neguinho. Já no sábado, o festival terá espectáculos de Sos Mucci, Kino Cabral, Tony Fika, Djilu di Djidja, Gama, Jonatthon, Ne Jah e DJ Samuka, DJ Edy, MC Danny e MC Neguinho. No domingo, estão confirmadas as actuações de Anderson 47a, Davis Varela x Dy Prison-Rap, Lil Mario, Deby Tavares, Márcia Cruz, Vanessa Ssaneva, Vhabulla, Dá Ferreira, Luis Fidalgo, Netos Code di Dona, Junny JN, Afrokids e Bob LuxCypher de Hip Hop, DJ Karilson, DJ Nene, MC Danny e MC Neguinho. A 32a edição do Festival da Gamboa decorre sob o lema “Ambicionar e Concretizar: o Futuro é Nosso!” e vai homenagear o músico Romeu di Lurdes.
2026-06-26 10:44:20

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