Isamara nasceu em Colatina e vem se consolidando no mundo da atuação | Foto: Duda Portella A atriz capixaba Isamara Castilho está ganhando destaque nacional e internacional ao integrar o elenco da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, que alcançou o top 1 global de séries de língua não-inglesa da plataforma de streaming.“É um momento emocionante. É incrível alcançar o estrelato global com uma produção de língua não-inglesa, que aborda uma parte tão delicada da história do Brasil. Estamos emocionados em ver que o nosso trabalho está ganhando repercussão”, declarou Castilho.Natural de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, Castilho cresceu em Morada da Barra, bairro de Vila Velha, e vem se consolidando como um dos nomes de expressão no mundo da atuação.Além da minissérie lançada na Netflix, a atriz e dançarina já participou de produções como o filme A Batalha da Rua Maria Antônia (2014), além das séries Santo (Netflix) e Anna (Prime Video).“Minha personagem, a médica Joana, vem para trazer dignidade às vítimas do acidente com o Césio-137, em Goiânia. Ela atua diretamente no atendimento às vítimas de contaminação radioativa, e vai além da atuação técnica como médica, se envolvendo na dimensão psicológica, social e emocional das vítimas”, explicou Isamara Castilho.Lançada em 18 de março deste ano, a produção da minissérie somou mais de 10,8 milhões de visualizações até o início de abril, e figurou no top 10 de 55 países.A obra é inspirada no acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia (GO), em 1987, e mostra o trabalho de cientistas e médicos brasileiros para rastrear a contaminação e salvar vítimas do acidente.“Essa história abalou o País. Foi um crime e, infelizmente, é pouco ensinada nas escolas. É emocionante dar voz a esse silenciamento histórico, para que um acidente como esse nunca mais ocorra”, destacou a atriz.“Nesse sentido, a minissérie está cumprindo o papel dela, dando voz aos sobreviventes. Trazer essa história à tona foi, antes de tudo, adentrar um território denso, falando de ética e também de responsabilidade”, completou.ProduçãoEmergência Radioativa foi produzida pela Gullane Entretenimento, e tem direção de Fernando Coimbra e Iberê Carvalho.O elenco também traz nomes já consagrados pelo público no cinema e teledramaturgia no Brasil, como Leandra Leal, Johnny Massaro, Marina Merlino, Tuca Andrada, Paulo Gorgulho, Emílio de Mello, Alan Rocha, Clarissa Kiste Bukassa Kabengele e Antonio Saboia.Assista ao trailer de Emergência Radioativa Sugerimos este vídeo para você “Maior desafio foi atuar de máscara”A Tribuna — Como foi interpretar uma médica em um cenário de acidente radioativo? | Foto: Divulgação/Netfilix Isamara Castilho — Foi a primeira vez que interpretei uma médica. Acho que atravessei um território profundo. Essa tragédia evidencia pontos importantes sobre a ética hospitalar e a dimensão coletiva da tragédia. A doutora Joana é hematologista e sabe que precisa salvar vidas, apesar dos protocolos de segurança. Ela fura uma greve trabalhista para cumprir a missão dela.Qual foi o maior desafio que você viveu durante a série?O maior desafio foi atuar de máscara, que os médicos utilizaram durante o atendimento às vítimas do acidente de Goiânia. Precisei redirecionar a atuação para o olhar, economizar gestos, ser assertiva enquanto atuava. Entender a economia de gestos e a interpretação através do olhar foi muito importante para mim como atriz.Quando você começou a se envolver com a arte?Sinto que sempre fui artista, e atuar foi a consequência do meu amor pela arte. Na escola, em Vila Velha, fazia ginástica rítmica e balizava a banda marcial, com acrobacias. Sempre frequentei as congadas da Barra do Jucu. Aos 18, entrei na Escola Livre de Teatro de Santo André (SP). Aos 20, comecei a estudar cinema, e me apaixonei por atuação nas filmagens do filme “Anna”. Foi o momento que entendi que queria contar histórias, dar voz à personagens.Quais os obstáculos enfrentados por uma atriz capixaba no mercado nacional de atuação?O maior é manter a confiança em si mesma, e a maior dificuldade é ficar longe da família e do mar. Você precisa conseguir as próprias oportunidades. Meus pais nunca me bancaram, foi insistência minha entrar nesse mercado. Não vejo glamour, vejo trabalho. Eu não sei ser outra coisa, senão artista.O que você diria para atrizes e atores capixabas iniciantes?Tem que pegar o touro na unha, pegar o barro na mão e moldá-lo, assim como as paneleiras. Você vai ouvir não, receber porta na cara. Mas se você acredita, se tem fé em si mesmo, você vai conseguir.
2026-04-21 14:00:00